Há tempos não escrevo. Porque cansei. Porque espreguicei. De certo, porque nem sei.
Fartei de escritos sem mais. Sobre mulheres superficiais. Alegrias banais.
Esgotei rimas fracas, hipérboles e pleonasmos. Além de ilusões.
Com o que agora se passa percebo, falta sofrimeto. Nas letras, não na vida. Gosto muito da citação de um certo Mário: "A felicidade bestializa, só o sofrimento humaniza as pessoas". É verdade.
Sofrimento humaniza, cria, desenvolve, amadurece. Tráz fé e um quase ódio. Lacrimeja. Esmiuça o que resta de esperança para depois fazê-la ressurgir mais forte e menos tola. De tolices, você e eu estamos cheios. Não falta ganhar algo, mas sim perder. Solidão é apenas um nome amendrontador para auto-conhecimento. Talvez essa dor não seja dos males, o pior. Talvez a bonança seja só dar-se conta de que tempestades são inevitáveis. E superáveis.
Agora, apenas espero novas experiências e novas expectativas. Recomeçar a escrever, não de onde parei.
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sexta-feira, 5 de agosto de 2011
segunda-feira, 10 de janeiro de 2011
Amém
Toda prece é pressa para se resolver o que é preciso, o que é quisto, visto que não se pode suportar nem sequer se quer tentar superar, esperar, então tem-se pressa de rezar. Pedir, clamar, suplicar. Nada a ver com amor.
Não me agrada agradecer o milagre de bom grado. Melhor esquecer, apagar da memória sem pagar o que não foi cobrado, foi dado, abraçado, bento e abençoado.
O choro é ordem e o sorriso obrigação, obrigando-o à ação. Imediata. Senão o desdenho, risco, rabisco, corto e rasgo o desenho, a cruz, a luz, como bem entendo. Ou desentendo. Acho que sei, que sou, que estou, que vou, que começou e acabou.
A Bíblia escrita por mim. Tentativa de ser maior. Não me rendo, não me entrego nem me arrependo, antes, me arrebento sozinho em relento. Lento. Lendo e relendo meus erros, meus equívocos, meus esquivos. Minhas falhas, minhas malhas, minhas tralhas e misérias. Quisera estar nem aí, nem aqui. A tua ação reduzida a essa medíocre atuação, com segunda, terceira e quarta intenção. Que Deus nos perdoe, mesmo sem merecermos tamanha redenção.
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